Jovens e mulheres compõem o novo perfil do campo

RH 29 de julho de 2022

Jovens e mulheres compõem o novo perfil do campo

Tecnologia, governança e revolução digital são os desafios para os jovens e mulheres que começam a se somar ao contingente tradicionalmente masculino e mais velho no agronegócio brasileiro.

O agro no Brasil foi um dos segmentos que mais contrataram no período da pandemia. O setor fechou o ano de 2021 com a geração de 140,9 mil empregos, segundo o Caged. E o ano de 2022 já começou com contratações – o setor abriu 40 mil postos com carteira assinada nos dois primeiros meses, sendo, em termos percentuais, o que mais criou vagas no Brasil no período.

Os números, em geral, com alguma variação entre um levantamento e outro, provam o que já sabemos: o peso do agro para a economia, o emprego, as exportações e a geração de renda no país, o que deve exigir não só conhecimento, mas competências específicas para as transformações que estão em curso no campo, sobretudo a revolução digital ou o Agro 4.0, como está sendo chamado.

A expectativa é que o agronegócio brasileiro seguirá crescendo. Mas não se trata apenas de um crescimento linear. O campo será também o palco de inovações em gestão, diversidade, inovação e sustentabilidade. Para isso, terá de contratar, mas precisa de profissionais com formação e competências gerais e específicas.

Setores de insumos e maquinários agrícolas, agroindústria de pecuária e agrícola seguirão contratando, com variações para mais ou para menos, obviamente em decorrência de sazonalidades, comportamento de mercado interno e externo ou agentes climáticos, mas com boas perspectivas de saldo positivo no balanço geral.

A transformação digital no campo já está demandando profissionais com conhecimento acadêmico, desde a tecnologia até agronegócio e a procura deve aumentar. Além disso, especializações, como pós-graduação, mestrado e doutorado, e também fluência em inglês, por exemplo, podem ser diferenciais bastante valorizados para um universo que sustenta a balança comercial brasileira e extrapola fronteiras.

Essa revolução no campo exigirá ainda soft skills – são habilidades comportamentais que estão além do currículo, mas bastante valorizadas pelos recrutadores. Dentre elas estão a capacidade ou talento para liderança, relacionamento, resiliência, atuação em cenários de crise, solução de problemas, inovação entre outras.

Só que o campo também demanda soft skills bastante peculiares: a capacidade de dialogar, relacionar e gerir projetos tanto com pessoal de nível administrativo, investidores e players do mundo agro quanto com o pessoal da lida no campo é uma delas.

Cargos nas áreas de gestão, envolvendo desenvolvimento organizacional, recursos humanos, financeiro; área de vendas para comércio interno e externo e abertura de mercados; tecnologia focada em desenvolvimento, monitoramento, análise e gestão de dados, são áreas promissoras que estão contratando.

Além das profissões mais diretamente ligadas ao campo, como zootecnia, agronomia e veterinária, por exemplo, o mercado tem espaço para profissionais com formação em administração, ciências químicas e biológicas, economia, direito, engenharias – da agronomia à indústria e outras.

O agronegócio está focado em avançar em automação, produtividade, governança ambiental, social e corporativa, sustentabilidade etc. As empresas terão de investir em ESG, rastreabilidade, governança, sustentabilidade, compensação de carbono, entre outros.

Segundo levantamento da Distrito, uma plataforma de inovação para startups, no ano passado cerca de 4,5 mil profissionais foram contratados para 300 agtechs.

E há também uma outra transformação no campo. Estudos têm mostrado que o agronegócio vem atraindo dois públicos. Um deles são os jovens. A Forbes apontou que em outros países o agronegócio está envelhecendo, mas no Brasil, no final do ano passado, o número de trabalhadores rurais com menos de 29 anos chegou a 2,2 milhões – o mais alto volume desde 2015.

O outro público são as mulheres. A participação delas também vem crescendo no segmento. Em 2021, segundo o CEPEA, a população ocupada no agronegócio era de 12 milhões e 800 mil homens e as mulheres ficavam com menos da metade das vagas: 5 milhões e 600 mil. Porém este número representou um aumento de 6,80% de mulheres no campo, sendo que o crescimento de contratações masculinas foi de 4,96% em relação ao ano anterior.

O agro brasileiro é um setor cada vez mais especializado – de norte a sul do país – e demandará, em uma curva crescente, pessoas conectadas com as transformações que já estão ocorrendo. O movimento de evolução é natural: são transformações que provocam e aceleram novas transformações. Isso torna o campo atrativo para a mão de obra em todos os níveis e num raio multilateral; ou seja, desde o profissional com formação em áreas específicas do agronegócio, até o pessoal administrativo, de tecnologia, inovação, marketing, sustentabilidade, comércio interno e exterior, até os empreendedores, desenvolvedores, as startups, agrotechs e mesmo os futuristas do agro.

Dimas Facioli
Diretor da Facioli Consultoria

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