D&I em pauta e como os profissionais podem se beneficiar desse debate

RH 8 de agosto de 2022

D&I em pauta e como os profissionais podem se beneficiar desse debate

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Diversidade e inclusão são temas que cada dia mais permeiam os debates e decisões no mundo corporativo.  O assunto já está cunhado com a sigla D&I e vem ganhando mais força neste momento de flexibilização e retomada dos negócios; ou seja, as empresas estão retomando sua produção, mas as mudanças não ficaram só na inovação com a implantação do trabalho híbrido permitindo atividades presenciais e remotas – elas começam a apresentar políticas mais arrojadas de inclusão e noticiar contratação de mulheres ou estagiários idosos, só para citar dois exemplos.

Cada dia mais as empresas de todos os segmentos, as consultorias e universidades editam cartilhas ou guias sobre diversidade e inclusão no ambiente corporativo. E lançam estudos e pesquisas sobre como as particularidades dos diversos públicos contribuem com os negócios e transformam o ambiente de trabalho – esta é uma das grandes cartadas do conceito D&I. A questão não é apenas incluir, mas enriquecer o ambiente corporativo com a diversidade. Mas vem um grande desafio pela frente; como fazê-lo?

É inegável que as mulheres são um dos grupos altamente organizados e estratégicos quando o assunto é carreiras e conquista de espaço, salários e postos na alta hierarquia dos negócios. Pela primeira vez na história da OAB-Ordem dos Advogados do Brasil, que já tem mais de 90 anos, elas superaram, em número, os homens. A instituição tinha 1.220.350 inscrições ativas em abril deste ano, e contabilizou 610.234 advogadas contra 610.116 advogados – vantagem de 188 a mais para o público feminino. Em várias áreas, como engenharia ou TI, por exemplo, elas estão ganhando postos e mostrando competitividade.

Uma boa análise, sob o olhar do gestor, mostra que este avanço das mulheres tem estratégia. Não basta pleitear espaço; é imprescindível preparar-se. E preparo hoje significa conhecimento técnico e competências emocionais. E elas têm respondido a isso.

Neste cenário, o mercado não somente olha, mas já começa a reconhecer as vantagens da diversidade para os negócios. As diferenças no ambiente de trabalho têm propiciado um espaço mais criativo e isso vem mudando também as formas de contratação.  Daqui para frente, veremos cada vez mais empresas buscando particularidades entre os grupos que possam contribuir com os negócios.

Pesquisa da PWC, no auge da pandemia, em 2020, sobre D&I nas empresas e seu impacto na experiência dos empregados em diferentes indústrias, aponta investimentos sem precedentes em programas de diversidade e inclusão. 76% das organizações que participaram do estudo dizem que o tema é um ”valor” ou uma “prioridade”. A pesquisa já mostra uma importante tendência ao concluir que as empresas esperam não somente impulsionar o engajamento com esses públicos, mas também melhorar seu desempenho financeiro e permitir a inovação.

Ainda assim, utilizando o exemplo do grupo “mulheres” no mercado de trabalho, um estudo da consultoria Robert Half, feito no ano passado, mostra que menos de 5% dos cargos de direção das empresas brasileiras são ocupados por mulheres. Porém, ninguém duvida que elas avançarão. Isso porque elas assimilaram o jogo e estão se preparando cada vez mais.

As mulheres representam 20% dos trabalhadores em tecnologia no Brasil. Mas o que vale é que a participação feminina cresceu 60%, nos últimos 5 anos na área: de 27,9 mil para 44,5 mil trabalhadoras em 2019, segundo o CAGED-Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.

Resultado prático do foco em D&I é que empresas e estudiosos passam a estudar mais o tema. A consultoria Deloitte ouviu mais de 5.000 mulheres em 10 países no período entre novembro de 2020 e março deste ano para entender o impacto da pandemia no gênero no local de trabalho.  O estudo analisou assuntos ligados à vida profissional, experiências durante a pandemia e expectativas para o futuro. Os participantes foram selecionados por grupos de idade e o estudo utilizou filtros em relação a etnia, orientação sexual e identidade de gênero. Os números mostram que 51% das mulheres estão menos otimistas sobre suas perspectivas de carreira do que antes da pandemia. Dentre as brasileiras, 5 de cada 10 classificaram como boa sua satisfação, motivação e produtividade no trabalho – mas, antes da pandemia, essa relação era de 7 mulheres a cada grupo de 10.

Mais resultados práticos: há poucos dias um grupo de dez grandes empresas apresentou um projeto ousado para acelerar o desenvolvimento de carreiras e o acesso das mulheres ao mercado de trabalho. O projeto foi anunciado com a devida cerimônia pelas empresas Accenture, Adidas, Enel, Generali, Microsoft, Oracle, Pirelli, Stellantis, TIM e Via.

A importância desse debate recai sobre a atenção que o mundo dos negócios vem destinando ao tema D&I e às iniciativas para conhecer as particularidades dessas pessoas a fim de ampliar e adequar o ambiente às necessidades de cada grupo, bem como desenvolver políticas que permitam que as diferenças contribuam com os negócios em termos de criatividade, inovação e resultados mais positivos nas questões de inter-relacionamento.

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